Saviola jamais teria sido capaz de marcar o segundo golo do Sporting. Tenham paciência. Não é só por não jogar no Sporting e, portanto, não poder actuar no espaço e no tempo em que o Universo presenteou com um momento de clímax todos aqueles que demonstraram o endurance necessário ao visionamento de 88 minutos desta colheita de Sporting. Como quem oferece um forno eléctrico ao último idoso vivo após uma excursão de três dias a Moimenta da Beira.
Nos próximos dias, dir-se-á por aí que foi o golo mais fácil da carreira de Liedson. Errado. Liedson, apanhado em fora de jogo, detém-se na corrida. Ao fazê-lo, implanta propositadamente na mente do GR adversário a ilusão do fora de jogo. Como um jovem truão que não se sabe prestes a levar uma tampa, o pobre homem controla (ou não) a bola junto à linha de fundo. Saiu? Não saiu? Pouco importa, tanto mais que nem o próprio, cheio da bazófia com que os deuses enloquecem os que querem perder, em tal reparou ou tal protestou, consumado o facto.
Depois, veio a fé. Liedson junta à racionalidade da pausa (no fora de jogo) à pura crença do arranque. Vai, capta o esférico, corre seguro, amoral, sem sentir temor ou remorso, como um Dorian Gray cujo retrato permanecerá até ao fim dos tempos escondido dos olhos do mundo. Ele nunca será velho. O encostar do pé, qual espada de Aquiles, mata as esperanças daquelas Helenas que, não sendo de Tróia, não andam assim tão longe. O truão corre, qual galinha sem cabeça, na tentativa vã de evitar o inevitável. Golo. Está feito.
É esta a grandeza de Liedson, a conjugação quase perfeita do coração com a cabeça. Pensando, faz-nos acreditar e acreditando, faz-nos pensar.

O jogo? O jogo foi fraquinho.
Ide em paz.

tanto texto so para dizer que o Liedson consegue marcar golos de baliza aberta!!! Realmente ha que dar valor ao homem!
ResponderEliminarEu não sei se conseguia enfiar uma bola num rectangulo de 9x2 a 30 metros sem nenhum opositor pelo caminho!!!